A INGERÊNCIA CHINESA NA ÁFRICA SUBSAARIANA: ENTRE A COOPERAÇÃO E O NOVO PADRÃO DE DEPENDÊNCIA COM ANGOLA
DOI:
https://doi.org/10.56238/ramv20n16-023Palavras-chave:
Angola, China, Cooperação, Relações BilateraisResumo
Neste texto pretende-se descrever a cooperação sino-angolana a luz do novo padrão de dependência. A relação Angola e China começou no século XX, mas ganhou força após 2002, com linhas de crédito e contratos de cooperação para reconstrução pós-guerra civil. O interesse da China em Angola ligado à busca por petróleo e matérias-primas em troca de investimentos em infra-estrutura (estradas, hospitais, escolas, caminhos-de-ferro), levou a China a conceder variadíssimos empréstimos bilionários a Angola, com juros baixos e prazos longos, mas condicionados ao uso de empresas e mão-de-obra chinesas, criando dependência económica para o estado angolano. Desta relação bilateral, houve melhorias em mobilidade e infra-estrutura, mas a predominância de trabalhadores chineses reduziu oportunidades de emprego para angolanos, limitando benefícios sociais, como também remeteu Angola numa situação de forte dependência da exportação de petróleo para a China, o que fragiliza sua economia diante da volatilidade do mercado internacional, outrossim, a China, enquanto potência emergente, dita os termos da cooperação, restringindo a autonomia angolana e reforçando padrões de dependência económica e tecnológica originando problemas como o déficit comercial, baixa diversificação produtiva e críticas de neocolonialismo. Contudo, apesar dos avanços na reconstrução, a cooperação não se traduz em desenvolvimento socioeconómico inclusivo, assim, o estudo sugere que Angola precisa redefinir os termos da parceria, priorizando diversificação económica e valorização da mão-de-obra nacional.
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